E Por que não ser um gênio?

É difícil admitir isso, mas eu não sou um gênio.

É pior ainda admitir uma outra coisa: ao que tudo indica, nunca passou na mente de nenhuma pessoa que eu poderia ser um gênio.


Desde criança, pensei que um dia todos me olhariam admirados por meu brilhantismo. Eu queria ser reconhecido por grandes feitos. Queria ser reconhecido por me destacar dos demais. Queria ser reconhecido por transformar o mundo em algo melhor. Queria ser reconhecido por toda eternidade. Queria ser reconhecido, e talvez isso fosse o que eu mais queria...

Mas eu cheguei em uma fase decisiva. Eu tenho mais de duas décadas de vida, grandes nomes se destacaram muito antes disso e eu, simples e reles mortal, nunca ganhei nenhum prêmio, nem um trofel, nem uma medalhinha de honra ao mérito por algo que eu tenha feito. A cada ano que passa, acredito mais na possibilidade de não ser um humano acima das habilidades habituais. A cada ano que passa aquele velho sonho de ser mais do que eu realmente sou vai morrendo.

Quando estava na quarta-série, eu decide que seria um grande escritor, daqueles que todos parariam quando eu passasse no corredor e apontariam para mim dizendo: “Aquele é o Dayvson, o maior escritor que já nasceu em Natal”. Mas sabe de uma coisa, você, caro leitor, está lendo um texto meu a quase quatro parágrafos, e deve concordar com esse meu pensamento: “Se eu for considerado um gênio, não será por causa do que eu escrevo, porque eu sou péssimo”.

É... triste pensar isso, mas eu sou normal. Vivo uma vida normal, tem pessoas que me amam, tem pessoas que me odeiam, mas ninguém para no meio do corredor para falar, quando eu passo, alguma coisa de mim.

Posso não ser brilhante, posso não ser um gênio, posso não ser reconhecido. Entretanto, eu não preciso dessas qualidades para buscar o que eu mais quero em minha vida: ser feliz.
Não me importa se todos, quando eu morrer, um dia se esquecerao de mim. Não me importo de não ter conseguido mudar o mundo para algo melhor. Não me importo de não ser reconhecido quando ando nos corredores. O que eu realmente deveria saber desde novo, mas que só agora eu percebo, é que transformar a vida das pessoas que estão ao meu redor é o que realmente importante.

Se souber que, que durante um dia, eu fiz minha namorada feliz, isso já vai ter valido toda minha existência. Saber que pude marcar as pessoas a minha volta, não por ter sido incrível, mas por ter sido amigo, esse é hoje meu maior sonho.

Não quero ser mais brilhante, não quero mais ser um gênio, não quero mudar o mundo. Quero amar e ser amado; chorar e ser consolado; e fazer alguém sorrir, mesmo quando não há motivos. Quando aprendermos que realmente só isso que importa, ai sim seremos felizes.

Eita coisa estranha...

Então... ando me sentindo vazio. Sem nada. Podem sugar, não sai mais nada daqui de dentro. Não amo ninguém. Não odeio ninguém. Tenho problemas, os mesmos que todo mundo tem. Às vezes os meus parecem piores, mas com certeza não devem ser. Não estou passando por nenhuma pseudocrise-interna, não estou dando pulos de alegria por nada. No momento, estou existindo. Inerte. Queria tanto me esvaziar, que consegui. Oco. Agora preciso me encher novamente, nem que seja a conta gotas. Porque esse oco da uma dor no estômago que não faz parte de mim. Uma amiga me disse que isso é um processo de purificação, de limpeza, não sei, ela tem umas idéias esotéricas meio malucas. Seja lá o que for, segundo ela o processo já chegou ao fim. Foi um processo dolorido, chorei todos os amores que eu tive e perdi, por todos que me tiveram e perderam. Pelas minhas incapacidades. Um a um, cada fantasma da minha vida foi indo embora, foi expulso. E a cada um que saia de mim, era de uma dor enorme, como se levassem algo junto. E foram, todos, toneladas saíram das minhas costas. Mas acabou que vazio me incomoda. Eu sei o que quero. Agora sei exatamente o que quero. Só não sei se tenho condições de ir lá buscar. Tudo acabou me parecendo vazio de mais. Amo minhas amigas, meus amigos, mas ando preferindo ficar em casa. Deve ser o tal ostracismo. Não que eu não queria sair, ir pra rua, quero. Mas na hora, me dá uma coisa... Sei lá. Não sei explicar sem que isso pareça falta de vontade. Pois não é falta de vontade. É algo diferente. E como se perguntasse “pra que?” em tempo intergal. Isso deve passar também. Assim como passou a sensação de transbordar a cada passo. Tá confuso demais. Ou talvez seja esse excesso de clareza que não me deixe ver as coisas. Ultimamente não consigo mais escrever nada conciso, coerente. Sai esse amontoado de coisas sem nexo. Mas não. Não pensem que estou mal. Não estou. Pelo contrário. Estou bem. Minha cabeça focada em uns problemas ai. Mas bem. Eu acho, que apesar de tudo não andava tão bem há tempos. Da uma estranheza e ao mesmo tempo um alivio, essa ausência de tudo, essa coisa oca. Um outro amigo, bem menos místico e bem mais carnal, me disse que é apenas falta de sexo e de amor. Talvez. Podem ser que ambas estejam certos. Ou errados. Eu simplesmente não sei. É como se nada tivesse grande importância. Nem meus medos. Nem minha casa com 3 cachorros que latem soltos pela sala. Talvez seja pra não ser. Ou se for, será. Não me importo muito. Como se tudo estivesse como deveria ser. Como foi planejado. Em algum lugar. Em outro nível. Ou talvez não, talvez eu tenha ficado tão cansada que simplesmente parei de correr atrás do meu próprio rabo. Porque simplesmente não se chega a lugar algum. Pessoas me perguntam o que eu tenho. Como se estivessem me vendo pela primeira vez na vida. Como se viesse de outro planeta. Não sei o que tenho. Ou o que não tenho. É apenas uma sensação de que de agora em diante não há mais o que tirar de mim. Só preciso colocar. Absorver. Ou... Não seja nada disso.

Fazer o que?

Aos que me odeiam!

Para quem me odeia, tem inveja ou simplesmente tenta me ignorar e não consegue:


Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim. Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.

Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço. Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.

E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos. Então, ser execrado por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.

Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco. Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando. Não sei nem se sou merecedor de tamanha consideração.

Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor. E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:

Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.

Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.

Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.

Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daqueles que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.

Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

OBRIGADO!

Ensaio sobre o Orkut

Como é fácil vendermos nossa imagem nessa ferramenta chamada Orkut, somos quem quisermos ser e, melhor ainda, podemos querer não ser ninguém... Falando nisso, odeio fakes, todos eles...

Apesar de garantidos os direitos de expressão desde que não ultrapassem a personalidade doutrem, o Orkut proporcionou o verdadeiro caos no nosso sistema jurídico brasileiro, uma verdadeira anarquia de valores se estabeleceu... "Fodam-se a imagem e a privacidade, entrou no Orkut, 'lascou-se'" (assim disse meu colega de sala em uma aula sobre Direito Civil)

Se falta personalidade em alguns, sobra em outros. Discursos eloqüentes, frases de grandes pensadores, músicas, sonetos, poemas, palavrões, chavões, passagens bíblicas e, quando não misturam tudo isso que foi dito em um só perfil, aparece a mais incrível descrição de si mesmo... uma gigante e totalmente esclarecedora "?"

Simplesmente PERFEITO...

Resume em um símbolo tudo o que filosófos nunca conseguiram expressar em palavras. De todos os perfis que já visitei, e confesso que foram muitos, este sim, é uma obra de arte não reconhecida. É tudo que poderia ter sido dito, mas não foi! Por que? Porque se não nos conhecemos totalmente, se não conseguimos nem dizer o que gostamos em palavras claras... como céus eu poderia dizer quem sou eu?

Se o criador do Orkut tivesse pensado nisso antes, acredito que existiria uma outra frase no lugar da tão terrível frase:"Quem sou eu", antes de qualquer nome, existiria uma descrição "como você se imagina ser" e ao final: Mas pode me chamar de: Fulaninho de Tal.

Boa Semana pra vocês!!

Ps: Beijos especiais a Nane. Saudades imensas de você!

Etiquetas

Dos vários questionamentos que faço a mim mesmo ou a uma "Força Divina" é o por quê de não termos nascido com etiquetas!? Tudo seria muito mais prático, Vejamos:

- Você tem uma queda por determinada pessoa e tem dúvidas se dará certo ou não... beleza... bastava pedir com delicadeza ou, até mesmo, se aproveitar de uma distração de sua pretendente e olhar a etiqueta dela. Prático né? tem mais vantagens...

- Seria um grande avanço para a Ciência, psicologia e até para o Direito que agiria de acordo com a Convenção das Etiquetas (explicarei isto em outro post futuro).

- Não haveriam separações matrimoniais, nem discussões de personalidade... Você só escolheria a sua etiqueta padrão e em caso de erro, seria proposital e não acidental.

- No Sexo então seria uma maravilha... escolher de puritana a sadomasoquista!! Sucesso total!!

- Você não teria dúvidas se seu amigo é ou não é gay!

- Não haveria mais constragimentos, bastaria olhar se a etiqueta está "Disponível" ou não!

Sendo assim me pergunto, apesar destas não existirem, será que não existe quem faça isso por achar-se como um próprio Deus Onipotente e Onisciente? aahh convenhamos... viver no acaso é muito melhor!!! Se é que o acaso existe!!

Estranhos

Hoje uma cena muito interessante me aconteceu... estava eu sentado, calado, um pouco febril, quando me deparo com uma criança sentada a minha frente, olhando pra mim, provando seu salgado, calada, apenas me observando escrever e ignorando o mundo ao redor.

Sua expressão era de alguém despreocupado, mas o que o faria assim? Talvez pela sensação de liberdade que a mãe estava lhe causando ao se ausentar para conversar com uma amiga, talvez porque o gosto do salgado estivesse tão bom que "dane-se o mundo, eu quero é me esbaldar". Estranho, a cada mordida parecia cada vez mais distante.

Quando nossos olhares se cruzaram, ele me ensina algo que há muito tempo havia esquecido... nenhuma barreira pode resistir a um sorriso sincero!

Há poucos metros da minha mesa estão pessoas que julgam me conhecer... estas tmb me olham, digo isto porque para elas só fui o que eu quis que elas pensassem de mim.

Escrever sobre isto me dá certo conforto, adoro quando pensam que me conhecem e se surpreendem quando descobrem algo em mim que nunca imaginavam que eu fosse capaz.

Algumas pessoas são assim e eu não as condeno mais, que falem, que sejam assim, que tenham seus "grandes" assuntos sobre festas ou pessoas, eu não me importo mais, quando descobrirem que o mundo não é apenas seu próprio umbigo, saberão que nem tudo é brilho e que debaixos de máscaras podemos ser quem quisermos e que nem sempre as máscaras caem... pois algumas delas apenas nunca existiram!

Bom Final de Semana!

Falsas Verdades

Hoje pela manhã fiz uma reflexão sobre um acontecimento um tanto cotidiano para alguns... estranho para mim... dos bilhares de apelidos que coleciono e outros que me atribuem, apenas um me diz exatamente como eu me sinto: ESTRANHO!
Me pergunto: Serei eu o estranho ou serei eu o único no universo que é "normal"? Independente da resposta, já notou como isso soa triste? Será que nesse imenso planeta azul existe alguém que assim como eu se importa ainda com as pessoas, que se estemece diante das injustiças e não se contenta com mentiras impostas por essa sociedade hipócrita?
Falsas Verdades... Estou cercado delas...
Um homem passeava com seu cachorro, andava pela orla de Ponta Negra num belo final de tarde, parecia preocupado ou desesperançoso, andava várias vezes pelo calçadão até encontrar um conhecido e receber de presente uma indagação um tanto incomoda:
- Como vai? tudo bem? - Pergunta o conhecido.
- Vou bem sim e você? - Responde quase suspirando o indagado.
Por que mentimos tanto?
Lógico que o conhecido não estava preocupado com o bem-estar do homem, acontece que vivemos tanto no automático que o melhor para nós mesmos é que nos respondam exatamente como o homem e seu cachorro... apenas Falsas Verdades...

Quem é que vai pagar por isso?

Foi com surpresa que me deparei outro dia com um costume que eu jurava que não existisse mais. Estava jantando num restaurante com meus amigos e amigas, paqueras soltas na mesa quando o garçom trouxe dois tipos de cardápios para a mesa. Ambos listando todos os pratos da casa, mas os das mulheres, sem preços. Quem deve pagar a conta, afinal? Como se houvesse uma resposta única para uma questão complexa.

Vamos resolver isso de uma vez por todas: no caso de ser apenas uma turma de amigos, cada um paga sua parte, a não ser que um queira fazer uma gentileza pra o outro. O outro, elegantemente, retribuirá numa próxima vez.

Terminada a sessão "amigos", vamos ao que interessa: encontros amorosos, sexuais ou matrimoniais.

- Se o homem convidou a mulher para jantar pela primeira vez, ele paga. Não tem acordo.
- Se o homem convidou a mulher para jantar pela segunda vez, paga de novo. Se está meio duro, que a convide para um lugar modesto, sem problema.
- Se esses jantares evoluíram para um namoro, ninguém mais está convidado, eles simplismente combinaram de comer alguma coisa depois do cinema, então ela pode começar a pagar de vez em quando.
- Se ele andou aprontando, sendo grosseiro ou pisando na bola, podem estar juntos há 20 anos: ele paga. Caro!
- Se ela andou aprontando, sendo grosseira ou pisando na bola, ele paga também, para que ela não pense que as coisas se resolvem assim tão facilmente, com uma continha de restaurante.
- Se ele não tem um tostão, está desempregado, quebrado, falido, mas compensa sendo um cara sensacional, ela paga quantas vezes for preciso("mas torcerá, em silêncio, para que essa situação seja passageira").
- Se ela não tem onde cair morta , mas é tão doce que faz questão absoluta de pagar pelo menos um vez na vida, ele a leva para comer cachorro-quente e permite rachem a conta.
- Se os dois são milhonários, ele paga.
- Se o casamento está em crise, ele paga. Era só o que faltava fazê-la chorar e arcar com a conta ainda por cima.
- Se o casamento está em plena lua-de-mel, ele paga. E vai achar barato.
- Se ela é uma deusa e ele um tribufu, nada muda ué: ele paga!
- Se ele é descolado, um papo ótimo e na cama melhor ainda, ela cozinha em casa para ele e nunca mais o deixa escapar. (Isso existe?!)
- Se ele é grosso, ignorante e mal-educado, ela paga a conta e pede licença para ir ao toalete, quando na verdade vai pegar um taxi para casa e providenciar a troca do número do telefone.
- Se você não se encaixa em nenhuma desses situações, ele paga.

Resumindo tudo: MEU AMIGO, MULHER QUASE NUNCA PAGA CONTA!! E HÁ DELAS QUEM RECLAME!

Boa semana a todos!

Lula no Maracanã

A cerimônia de abertura do PAN 2007 no Maracanã, revelou duas novidades ao país: a auto-estima recuperada do Rio de Janeiro, depois de tantas notícias negativas e sangrentas, e a baixa-estima popular escancarada com a vaia monumental de 90 mil pessoas ao presidente Lula, depois de tantas pesquisas de opinião triunfais e inebriantes. A festa, belíssima, com as cores e a energia que só o Rio seria capaz de produzir, pode ser o marco de uma trajetória de alto astral que sempre foi a marca da Cidade Maravilhosa, até ser acuada e desfigurada anos atrás pelo crime organizado e pelo tráfico de drogas, que mata, vicia, assusta e corrompe. A vaia, estrondosa, pode ser um ponto de inflexão na curva estável de popularidade de um presidente que resiste a tudo – navalha, Zé Dirceu, sanguessuga, Palocci, mensalão, vampiros da Saúde, Delúbio, os aloprados do PT, Waldomiro Diniz, furacão, Vavá.
Impávido, Lula atravessou este circo de horrores indiferente, cego e surdo a tudo e a todos. Não era nada com ele, embora respingando no ministro do peito, no assessor de confiança, no gabinete ao lado, no irmão ingênuo e simplório. Na rede de Lula, era tudo lambari, incapazes de serem confundidos com os verdadeiros tubarões da corrupção. E isso, segundo as pesquisas de vários institutos, medida ao longo de meses a fio, era a percepção dos brasileiros, pacientes e complacentes, cada vez mais encantados com o presidente da República e com os números vigorosos de uma política vigorosa e estável. Estádio nunca foi problema para Lula. Desde o campo de Vila Euclides, no ABC paulista, onde ele se projetou como herói da classe trabalhadora em plena ditadura, comandando greves e plantando as sementes do primeiro partido operário de massa da política brasileira. Só agora, mais recentemente, num ou noutro evento Brasil afora, Lula experimentou o sabor amargo de vaias, geralmente de grupos menores que se infiltravam na solenidade. Parecia coisa de xiitas do MSLT ou de ressentidos da esquerda radical do PSOL e do PSTU.
Agora, no Maracanã, foi diferente. Nunca antes na história deste país, como diria o próprio Lula, um presidente foi vaiado por um Maracanã lotado. Quando o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, agradeceu ao microfone pelo apoio das três esferas de governo – federal, estadual e municipal -, ouviu-se o que milhares de pesquisadores dos institutos de opinião não escutaram nos últimos cinco anos. Uma sonora, clara, uníssona, retumbante vaia, capaz de consolar o juiz de futebol mais salafrário. Nuzman teve o cuidado de não citar o nome, falou apenas em "presidente". Não adiantou. Na seqüência, quando o orador homenageou o "governador", sem citar o nome de Sérgio Cabral, a vaia prosseguiu, firme e forte.
Só ao citar o "prefeito", sem declarar o nome de César Maia, é que a platéia, convertida, se derramou em aplausos e nítida aprovação. O que só deve ter piorado o impacto da cena na cabeça do presidente. Minutos depois, quando o mexicano presidente do Comitê Olímpico das Américas anunciou a palavra iminente de Lula, nova e consagradora vaia. A cena final mostrou Lula, com um papel na mão, pronto para declarar o Pan do Rio oficialmente aberto, distinção reservada à maior autoridade do país. Diante do caos iminente, Nuzman retomou o microfone e poupou Lula do vexame final, fazendo ele mesmo a declaração de abertura. Lula conseguiu ser o primeiro brasileiro amedalhado do Pan 2007. Não foi ouro, nem prata, nem bronze. O que foi, talvez só as novas pesquisas poderão mostrar.
Por Ricardo Noblat

O Texto:

Quando a gente se apaixona o mundo se enche de cores, fica tudo mais bonito, tudo mais leve, e se a paixão for verdadeira e ele for Ele você saberá, sim amiga saberá, porque quando Ele aparecer na sua vida você vai ouvir sininhos tocando e vai ver borboletinhas voando ao seu redor, e o amor de vocês será o mais lindo e será Para Sempre!

Eu deveria me empenhar em descobrir quem foi que inventou esta fantasia de “sinos e borboletas”, essa pessoa merecia a guilhotina! Ô elemento mau!

As mulheres já crescem com esta idéia fantasiosa fixada na mente, essa “invenção burguesa” (como diz Mausinho), que é o amor surreal, se comporta como uma erva daninha que cresce no imaginário feminino. Pobres meninas que se iludem com essa baboseira de Príncipe Encantado.

Eu não acredito mais no amor, não neste amor barato e fantasioso que vendem por aí, porque para mim o amor de verdade, amor de mãe, de irmão, de amiga, este é um artigo de luxo, caro e raro, e esta saturação do mercado sentimental, esta enxurrada de “eu te amo” só me prova que andam falsificando este tal de amor, e de uma forma muito furrepa.

Como qualquer outra menina que está chegando na vida adulta, eu trago na minha mochila algumas experiências guardadas numa caixinha. Eu pensei que já tinha ouvido os sinos e visto as borboletas, mas a cada dia que passa me convenço de que eu estive completamente enganada, e que “Ele” subornou as borboletas e pagou alguém para tocar os sininhos.

Sempre que um “ele” aparece e eu fico encantada eu acho que é Ele, tudo é lindo, o mundo fica leve, eu fico tonta, mas é só esse frenesi passar para começar a sentir o peso nas costas. E logo vem a desilusão, ele não é um príncipe, não é para sempre e eu acabo um pouco mais distante da tão sonhada felicidade. Não que eu não seja feliz, sim sou muito! Mas tô falando daquela tão sonhada felicidade, que nem eu sei qual é!

Mas logo aparece outro, e começa tudo de novo, outra companhia de sinos, outra equipe de borboletas, outra vez o tudo lindo, outra vez o mundo leve, outra vez a desilusão.

Por isso resolvi que eu mesma vou ter a minha companhia de sinos e minha equipe de borboletas, já que isto é uma farsa barata criada pelos homens para nos iludir, nada melhor do que colocar o feitiço contra o feiticeiro. Vou domesticar as borboletas e eu tocarei meus próprios sinos. (Mesmo que isso te contrarie Mereto.)

Gostar de alguém é algo muito além de sinos e borboletas, se a receita para uma paixão verdadeira dependesse só disso seria muito fácil. Mas tem muitas outras coisas para que uma paixão seja para sempre, ainda mais porque a duração do “para sempre” é muito relativa. Tem “para sempre” que dura um ano, cinco meses, até de três meses eu já vi.

Cansei de brincar de Princesinha, essa história de encontrar Príncipe em sapo é aventura demais pro meu mundinho. Nada de buscar o Príncipe Encantado, sem essa de que a gente tem que beijar muitos sapos para encontrá-lo. Sou mais a teoria de que enquanto eu não encontro o “Certo” eu me divirto com os errados.


Tássia Piotto (in memoria)

Reflexões sobre o Sofrimento

Angústias impensáveis, tristeza, desespero, decepção, frustração, raiva, abandono, solidão, falta de amor, baixa-estima, traumas... Longa é a lista de emoções, sensações e situações que geram sofrimento emocional. Fugir deles? Seria muito bom se pudéssemos fazer isso sem maiores consequências, que houvesse uma tecla que apertássemos e pronto, deleted; ou até mesmo uma cirurgia superespecializada para extirpar aquilo que nos faz sofrer... E o mundo todo poderia ser diferente, um paraíso idealizado onde tudo funcionasse, onde o banco não cobrasse juros do cheque especial, onde não houvesse trânsito, traições, guerras e onde as nossas necessidades fossem atendidas prontamente.
Mas não é assim. Não dá nem pra fantasiar, porque até mesmo aquele livro que eu gosto, a novela, ou até a história do conto de fadas só faz sentido porque há drama, há sentimentos bons e ruins, há lutas e vitórias, há derrotas também, há a morte, há dor e há prazer.
Fugir do Sofrimento é se ausentar da própria vida, da lida com a realidade, de si mesmo. Sofrer faz parte! Que parte chata, desagradável, doída! Mas quão real, construtivo e enriquecedor se pudermos nos apropriar e dar lugar e acolhida ao nosso próprio sofrimento. Simplesmente porque é noso e porque faz parte de nossas vidas, da nossa história e da nossa realidade.
O Sofrimento é nosso individualmente, enquanto pessoas, e é nosso coletivamente, enquanto comunidade humana. Há emoções compartilhadas por todos: as alegrias e celebrações dos nascimentos e casamentos, a ternura diante dos bebês, o luto das mortes, a indignação diante de atrocidades e catástrofes.
Mas até para sofrer precisamos ter aparato, estrutura e saber que podemos atravessar a dor e sair dessa travessia mais humanos, fortalecidos e criativos. A Primeira vez que ouvi isso em uma aula, achei interessante o discurso. Pensei comigo: "mas eu já sofri tanto, já passei por cada uma e não estou me sentindo necessariamente mais humano, fortalecido e criativo com isso. Na verdade estou cansado, farto. Isso é conversa de Psicólogo, de masoquista ou de budista".
Mas existia um fato irrefutável. Estava novamente ali sofrendo, angustiado e mesmo depois de todos os episódios anteriores da minha vida, parecia ainda não ter aprendido a lidar com isso, ou comigo, ou com o meu próprio sofrimento. Na verdade descobri que era especialista em fugir dele, em mudar realidades, em ocupar minha mente com atividades intelectuais, em construir novos cenários nos quais eu esperava, ansiava e fazia tudo da melhor maneira possível para que ele não estivesse incluído. Na verdade estava sempre comigo porque era meu. Meu Sofrimento, minha dor.
Num primeiro momento, quando me dei conta disso, fiquei indignado e com muitas questões. "Puxa vida, pensei que já tinha sofrido tanto e ainda tem mais? quanta energia e quanto tempo gastos fugindo desse sofrimento, da tristeza, da angustia, do desespero, da sensação de vazio! Será que meu espírito de luta, de sacudir a poeira e dar a volta por cima é genuíno mesmo ou será que é mais um mecanismo para escapar da dor?"
Mas sempre acreditando na possibilidade de cada ser humano encontrar o seu próprio caminho, sua singularidade, seu ser e fazer no mundo, sua forma de viver o melhor possível dentro da sua realidade, de transformar a relidade e de criar o novo, me dei uma chance. Chance de atravessar meu próprio sofrimento, de me apossar daquilo que era meu e que sempre optei - por falta de condições emocionais para suportar a dor, por medo, por falta de autoconhecimento, por falta de conhecimento e por falta de outro ser humano que pudesse me ajudar nessa travessia- por deixar de lado.
O outro. Que fundamental é o outro. Precisamos dele desde pequenos para significar nossa própria dor, para dar contorno e sentido. Dessa forma, o sofrer é só uma passagem, natural como o prazer e a alegria, e não uma ameaça de cair num abismo escuro infinito.
Ainda não sou um especialista em atravessar tempestades no deserto das dores e, para falar a verdade, não almejo ser. Contudo, agora sei que posso atravessá-las, saio mais fortalecido delas, mais apossado de mim e com menos medo. As travessias estão mais curtas, pois estou aprendendo a lidar com o deserto e as tempestades. Eu passo por eles e não me perco neles. Criativo? Não sei, isso vamos ver. Depois vocês me contam.

Me perguntam sempre quem sou eu...

Se eu falar que sou um cara que gosta de fazer coisas simples, mas, que as vezes complica muita coisa por nada, que prefere observar o céu e olhar o mar ou assistir a um bom filme do que ir a uma festa badalada, elas vão rir e logo mudam de assunto...

Se eu disser que amo ficar com minha família e observar cada um bebendo (muito) e ficando "alegres" e rindo e ao mesmo tempo chorando... Se disser que passei 12 anos brincando carnaval no mesmo lugar pq adorava chegar em casa de 5:00 da manhã pra dormir e ter minha rede já armada pq minha mãe se preocupava com isso... Se eu contar que passei minha infância brincando muito na rua, jogando muito video-game e passando as férias na casa dos meus primos pra fazer a mesma coisa... o que vc vai pensar de mim?

Se eu disser, ainda que sorrindo, que eu quero mudar o mundo, que eu me tremo diante das injustiças, que tudo que eu faço, mesmo que não perceba, tem um pq de estar fazendo em prol de uma coletividade... vc me chamaria de Altruísta ou de Louco?

Se eu disser que eu dou incentivos, conselhos, ministro palestras, aulas e tudo isso voluntariamente em escolas públicas... vc diria que eu quero aparecer ou sou sensível a essas causas?

Se eu disser que eu gosto muito de música, que adoro minha guitarra, que meus vizinhos me odeiam quando eu ligo a minha caixa watson 500w pra sentir a vibração mais leve dos solos de guitarra que faço, ou de madrugada, sento na sala e pego meu violão só pq me lembrei de uma música maravilhosa que povoava meus sonhos... o que vc pensaria de mim?

Se eu disser que eu sou o cara mais azarado no amor, que teve sempre as melhores oportunidades, mas que nunca sentiu que "pra sempre" era agora... que teve as melhores namoradas do mundo (tirando uma que nem sabia que eu a namorava... coisas de amor platônico juvenil) e que nunca conseguiu manter uma estabilidade por muito tempo pq sou tão instável quanto a hidrogênio... Seria eu insensível ou exigente demais?

Então pra não deixar que vc pense nada errado de mim, que me estigmatize ou faça rótulos da minha personalidade... vou deixar que vc me conheça...

Mas aviso: Uma vez conhecendo, ou vc permanece ou desapareça... quem gosta de meio-termo é quem não tem personalidade própria!


a porta AGORA está aberta, pode entrar!
Esse texto escrevi há algum tempo, mas se encaixa bem no que penso atualmente:

Vocês já ouviram algo bom, e não acreditaram, ou melhor, não aceitaram de bom grado, como se não fosse verdade ou se você não merecesse isso??? Eu faço isso constantemente, porque em mim existem duas vozes, e elas alternam sua influência sobre mim: uma voz acredita e aceita inocentemente, crê na bondade e verdade humana; a outra voz duvida, pois relembra as dores causadas por doces palavras que maquiavam outras intenções.

Eu vivo em ciclos, já vivi o ciclo do amor, estava vivendo o ciclo da renovação, e agora não sei em que ciclo vou entrar... Eu estou pleno, sei o que sinto, o caos ao meu redor não macula a minha paz interior, e aprendi pelos caminhos que trilhei que não devo tentar me completar com outros, eu sou completo. Devo sempre entender que minha existência no outro não pode ser como quero, ela é o que é, e devo aceitar e compreender essa existência.

Mas mesmo tendo uma paz interior, ainda percebo em mim contrastes e conflitos, estes inerentes à alma humana, mais evidentes em mim, por ser um neurótico em evolução, não um neurótico qualquer, mas uma neurótico involuntário, que, às vezes é tomado por emoções mais fortes que a razão, que levam a ações, no mínimo sinceras. Mas voltando a tais conflitos, eu por vezes me olho no espelho e não me queixo do que vejo, entretanto perambulando entre tantos, chego a me sentir inexistente, irreal, ou melhor, transparente, como se minha realidade estética não fosse aprovada, ou nem se quer notada. Essa sensação de inexistência causa uma mistura de tranqüilidade e uma inquietude: a primeira se deve ao fato de não ter que me portar dentro de certos ritos sociais, falsos em vários aspectos; a segunda provocada pela velha necessidade humana de se enquadrar.

Mas obviamente essas sensações incômodas são passageiras, porque não há nada melhor de estar de bem consigo mesmo.
Sei que tem muito tempo que não escrevo conscientemente aqui.
Não tem nada de muito interessante acontecendo, as pessoas seguem seus caminhos, procurando evitar riscos, medos e outros ritmos de pulsação. Nunca se viu tantos casais se desfazendo, tantos amigos se afastando. É o individualismo que impera.

Você fecha a janela do seu carro, não quer ver a miséria lá fora, liga o som alto, se tranca em seu mundo. Tudo é você, você, você.

Os dias vão passando, os meses também. E sua rotina cinza continua a mesma. Já não se conhece mais seus amigos, não há porque se preocupar com seus vizinhos.

Você se importa com o hoje, com o imediato, e o resto?

O resto ficou do outro lado do vidro.

O medo de se envolver causa a ruína do mundo. Nós cheios de "solidariedade", participamos de eventos como "Criança Esperança", e cheios de hipocrisia acreditamos estar fazendo a nossa parte. E como fica o menino do lado de fora do seu carro? Como dormirá aquela família que perdeu a casa em uma enchente.

O mundo se une em casos/causas isoladas, no fim do ano passado foi em prol das vítimas das Tsunamis, e como ficam as vitimas da violência avassaladora da exclusão social.

Essas pessoas já se tornaram invisíveis para o governo (exceto em época eleitoral) e para você?

O que você tem feito?

"Sigme Pax... Par Belle"

Começo esse blog de forma diferente hoje, retratações de acontecimentos me chamam muito atenção... como é possível as pessoas serem tão egoístas?... foram meus pensamentos dessa semana, acredite ou não, eu tenho razão!

"Sigme Pax... Par belle" - Se vc quer paz, prepare-se pra guerra!

Parece que o mundo esqueceu-se de como é importante o contato... é importante a vida... é importante as coisas simples... me sinto revoltado com a indiferença do mundo... e a pergunta simples que faço é... será que estamos fazendo aquilo que muito falamos? acredito que não!

abraços... e hoje eu estou inspirado! ^^

Eu, Robô!

Sentem-se, minhas crianças. Vou contar-lhes uma história que aconteceu com o vovô há muito tempo atrás. A história de como o vovô conheceu a vovó. Naquela época existia uma coisa chamada internet...

Esses aparatos tecnológicos andam me deixando de cabelo em pé. Falando assim, pareço um velho enrugado nascido no século passado. Tipo aqueles velhinhos que andam curvados e bem devagar no meu da rua, atrapalhando o fluxo de pedestres atrasados como eu. Mas como poderia um dia imaginar que três mil músicas caberiam num negócinho chamado mp3. Como poderia imaginar que colocariam rádio, máquina fotográfica e acesso a internet em celulares espalhafatosos. Como poderia imaginar que VHS seria encontrado em brechós e quitandas de ferro-velho. Ahhh, e o melhor, como saberia da gravidez precoce da minha ex-cunhada sem existir o orkut. Nunca!

Acho que foi o Ed Motta que declarou ser absolutamente contra essas coisinhas criadas no novo milênio. "Não existe mais aquele ritual de abrir o disco de vinil, sentir o cheiro do disco e deixá-lo deslizar na agulha". PELAMORDEDEUS!!! Fãs do Ed Motta que me perdoem, mas ele praticamente faz sexo com esses discos. Minha imaginação é muito fértil, imagino muito ele enfiando seu pê...ops!!! É muito mais fácil fazer o donwload daquela música preferida, enfiar ela no mp3 e ouvir duzentas vezes até ficar de saco cheio com a voz do cantor, quando isso acontecer deleta. Simples! Sem contar que pode ouvir dentro do ônibus lotado, daquela aula super chata de sexta-feira a noite ou deitado no seu quarto sem atrapalhar ninguém. Com o toca vitrola do Ed Motta tenho certeza que seria impossível isso acontecer.

Fico realmente impressionado com essas bugigangas criadas só pra gente gastar rios de dinheiro. É impossível imaginar minha vida sem a danada da internet. Na minha infância acreditava ser impossível viver sem minha bicicleta azul com rodinhas. As coisas mudam, isso que é o mais interessante. Impossível se conectar a internet sem abrir o msn, orkut ou visitar sua caixa de e-mails. Fútil? Pense como achar melhor. Minha opinião não vai mudar. Quem nunca entrou no msn com o coração batendo na boca, desejando que aquela pessoa tivesse online e ainda com uma frase linda pra você ler e se identificar. Alguns insistem em dizer que a internet afasta as pessoas. Não acho isso não. Muito pelo contrário, pra vcs terem uma idéia, tenho uma professora do primário na minha página de amigos do orkut. Agora pára pra pensar. Como continuaria mantendo contato com a Tia Cida?

esse sim é um texto de verdade!

Na soberba condição do humor benigno, se constata uma abrupta solução ao que se refere a tênis de saltitar tambores. Marcado por uma atenta subordinação austral da física nuclear, compara-se o novo mundo encontrado nas pós-estrelas de Órion. Sucumbindo a tal partido fibroso de satisfação mútua do genoma catalisado, às margens de uma sociedade saboreada celestialmente, sobrecarrega-se a energia da fala longitudinal em oposição ao suculento cognitivo do ar pleural movido a batidas intermitentes de um sopro sinuoso.

Confabulando a tal técnica removida do andar de um ser irônico supostamente tomado de infração gênica contrária ao salvador musical da sonda geométrica, sabe-se que a perfeita alternativa à dor é a coordenada múltipla de supinos diários na entoca rudimentar do sapo amazônico. Local rapidamente tomado de esfinges suburbanas setorizadas conforme a sua altura magnética elemental.

Sintomas encontrados no rompimento umbilical da Terra Prometida sonhada e reconhecida por monumentais horrores fatídicos de uma humanidade segmentada à visão de Sócrates. Clareiras de álamos rebarbeiam as correntes náuticas do hemisfério solar, sucumbindo a tal modo de rotação perimetral ascendente do rabo cósmico turvo e mal cheiroso.

Rapidamente a afeição do termo rudimentar sobrado da soma hermética de oradores que uivam à sombra do coração mortal de seus compatriotas e a rota beneficiária de retroação criteriosa da língua que saliva e entope os poros da existência da vida, rompem um surgimento cerimonial da periculosidade individual, levantada pela estatística das aves de rapina que rodeiam os cadáveres. Cintilante sejas tu, ó divina ave! A existência permeia à tua sabedoria ingênua.

Marcado por dores abdominais, o ácido sulfúrico nada contrai de seus radicais livres de referência mundial e episcopal. Maquinando a etílica do sal do carboidrato supõem-se que a rotatividade de almas que serpenteiam o haras divino, sobram no humilhante terreno de escamas macias. Simultaneamente rendidos aos acres gostos da saúva negra, cremam a cabeça marcial de destino distinto de dobraduras astrais, selecionando o abdome plural de retificas urinárias.

Relaxem, caras almas ambulantes! Este texto não foi feito com a intenção de compreensão. A cara ruptura de Ramsés não será revelada a vós. Rotacionarás por palavras semeadas de insignificância. Jogadas ao vento, para que o non sense seja complementar ao que se pode redimir ou não. Afobastearás sem necessidade ao lê-las ou rirás com a imagem absurda que estas revelarão a ti.

Antigo Profile do Orkut

Como um teclado de um piano muito antigo, cada tecla quer te dizer de como eu estou hoje. E para te dizer isso eu não preciso de muito, apenas seguir as direções de quem eu tenho sido por todos esses anos e então, quem sabe, talvez fique fácil para compreender. Pode ser que algumas teclas te informem com música, outras com um olhar. Algumas delas percorrerão a ponte da palavra, instrumento ágil e poderoso, mola que atrai e afasta. Posso brincar de cantar e dizer que 'meu coração, não sei porque, bate feliz quando te vê'. E tanto mais. Que a velocidade da vida me assusta e me atrapalha desde muito tempo. E que os dias mudam muito de acordo com os grãos. Atendo telefonemas curiosos. Vou muito menos ao cinema do que eu gostaria. Amo pessoas que não me amam mas tem um carinho enorme por mim. E eu começo a achar que esse carinho enorme acabou se transformando num tipo irônico de bordão. Que me tiram sorrisos e irritações. Depende da lua.
Que eu ando desatento e sem sono. De alguma forma, preso dentro de casa, decifrando caixas e coisas, ainda que coisas soe subjetivo. De repente, eu preciso descobrir mais ou menos sobre a vida ou sobre mim. Talvez sobre ambos. As coordenadas já foram estipuladas. O que me falta são as direções. Ou as opções. Eu estou bem. Eu tenho estado bem. Sinto felicidade e tristeza como toda a gente...
Eu estou mudando. Transformando. Poderia usar alguma metáfora e você depois me acusaria de ser óbvio, mas não. Estou em processo de transformação diária, ininterrupta. Tão exata quanto óbvia. Como uma pétala da sua flor predileta.

A difícil arte de Viver - Parte 938457

Sabe quando você nem conhece alguém direito mas pega uma super simpatia pela pessoa, sabe-se lá por quais motivos? E daí, meio sem querer, você vai acompanhando o que acontece com ela, torcendo para que determinadas coisas aconteçam? Isso meio que acontece às vezes comigo, em parte porque eu me importo com sentimentos que eu já vivi, sendo vivenciados por outros.

Eu acho bonito o amor. Sério, eu acredito que todos os relacionamentos são problemáticos, todas as pessoas são insuportáveis quando as conhecemos direito, e o fato de você suportar as neuras de alguém torna tudo ainda mais... intenso. Insuportável, às vezes. Mas intenso.

E sabe, isso não acontece com qualquer um. A gente acha que pode terminar um relacionamento e começar outro com alguém, pensando que terá a mesma intensidade, que terá os mesmos momentos felizes.

Mas não vai rolar.

Pode acontecer alguma coisa legal. Claro que sim. Mas todo mundo que já amou sabe que o amor, aquele, de verdade, de doer no fundo da alma, dependente, só acontece uma vez.

Porque, no final, tudo parece tão ridicularmente pequeno, insignificante, que a única dúvida que paira é tentar descobrir por que não estão juntos.

E poucas vezes a gente tem como voltar atrás.

Run, Davs, run.

...

PS. Eu posso estar extremamente errado com relação a isso e não tenho absolutamente nada a ver, mas quis, de uma galáxia distante, opinar sobre algo que possa estar acontecendo a alguém. Se estiver, me desculpe, de verdade.

*tentando ajudar*

Alguém um dia entenderá...

Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas que nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, “quebrei a cara” muitas vezes! Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (Quase Perdi)! Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida... e você também não deveria passar! Viva!!! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante.

NOSSO VOCABULÁRIO (MILLÔR FERNANDES)

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência.
Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por ílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder
de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!".

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo?

Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

Lembranças Mal Lembradas!!??

A maioria dos nossos tormentos não vem de fora, está alojada na nossa mente, cravada na nossa memória. Nossa sanidade (ou insanidade) se deve basicamente à maneira como nossas lembranças são assimiladas. "As pessoas procuram tratamento psicanalítico porque o modo como estão lembrando não as libera para esquecer". Frase do psicanalista Adam Phillips, publicada no livro "O flerte".

Como é que não pensamos nisso antes? O que nos impede de ir em frente é uma lembrança mal lembrada que nos acorrenta no passado, estanca o tempo, não permite avanço. A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor, uma experiência ruim, uma frase que nos feriu, quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente. Aí, sim: lembrando como se deve, a ânsia por esquecimento poderá até ser dispensada, não precisaremos esquecer de mais nada. E, não precisando, vai ver até esqueceremos.

Ah, se tudo fosse assim tão simples. De qualquer maneira, já é um alento entender as razões que nos deixam tão obcecados, tristes, inquietos. São as tais lembranças mal lembradas.

Você fez 5 anos, sonhava ganhar a primeira bicicleta, seu pai foi viajar e esqueceu. Uma amiga íntima, que conhecia todos os seus segredos, roubou seu namorado. Sua mãe é fria, distante, e percebe-se que ela prefere disparadamente sua irmã mais nova. E aquele amor? Quanta mágoa, quanta decepção, quanto tempo investido à toa, e você não esquece - passaram-se anos e você, droga, não esquece.


Essas situações viram lembranças, e essas lembranças vão se infiltrando e ganhando forma, força e tamanho, e daqui a pouco nem sabemos mais se elas seguem condizentes com o fato ocorrido ou se evoluíram para algo completamente alheio à realidade. Nossa percepção nunca é 100% confiável.

O menino de 5 anos superdimensionou uma ausência que foi emergencial, não proposital.

Você nem gostava tanto assim daquele namorado que sua amiga surrupiou (aliás, eles estão casados até hoje, não foi um capricho dela).

Sua mãe tratava as filhas de modo diferenciado porque cada filho é de um modo, cada um exige uma demanda de carinho e atenção diferente, o dia que você tiver filhos vai entender que isso não é desamor.

E aquele cara perturba seu sono até hoje porque você segue idealizando o sujeito, recusa-se a acreditar que o amor vem e passa. Tudo parecia tão perfeito, ele era o tal príncipe do cavalo branco sem tirar nem pôr. Ajuste o foco: o coitado foi apenas o ser humano que cruzou sua vida quando você estava num momento de carência extrema. Libere-o desta fatura.

São exemplos simplistas e inventados, não sou do ramo. Mas Adam Philips é, e me parece que ele tem razão. Nossas lembranças do passado precisam de eixo, correção de rota, dimensão exata, avaliação fria - pena que nada disso seja fácil. Costumamos lembrar com fúria, saudade, vergonha, lembramos com gosto pelo épico e pelo exagero. Sorte de quem lembra direito.

(texto de Martha Medeiros - jornal O Globo, de 17/abril/2005)