Me perguntam sempre quem sou eu...

Se eu falar que sou um cara que gosta de fazer coisas simples, mas, que as vezes complica muita coisa por nada, que prefere observar o céu e olhar o mar ou assistir a um bom filme do que ir a uma festa badalada, elas vão rir e logo mudam de assunto...

Se eu disser que amo ficar com minha família e observar cada um bebendo (muito) e ficando "alegres" e rindo e ao mesmo tempo chorando... Se disser que passei 12 anos brincando carnaval no mesmo lugar pq adorava chegar em casa de 5:00 da manhã pra dormir e ter minha rede já armada pq minha mãe se preocupava com isso... Se eu contar que passei minha infância brincando muito na rua, jogando muito video-game e passando as férias na casa dos meus primos pra fazer a mesma coisa... o que vc vai pensar de mim?

Se eu disser, ainda que sorrindo, que eu quero mudar o mundo, que eu me tremo diante das injustiças, que tudo que eu faço, mesmo que não perceba, tem um pq de estar fazendo em prol de uma coletividade... vc me chamaria de Altruísta ou de Louco?

Se eu disser que eu dou incentivos, conselhos, ministro palestras, aulas e tudo isso voluntariamente em escolas públicas... vc diria que eu quero aparecer ou sou sensível a essas causas?

Se eu disser que eu gosto muito de música, que adoro minha guitarra, que meus vizinhos me odeiam quando eu ligo a minha caixa watson 500w pra sentir a vibração mais leve dos solos de guitarra que faço, ou de madrugada, sento na sala e pego meu violão só pq me lembrei de uma música maravilhosa que povoava meus sonhos... o que vc pensaria de mim?

Se eu disser que eu sou o cara mais azarado no amor, que teve sempre as melhores oportunidades, mas que nunca sentiu que "pra sempre" era agora... que teve as melhores namoradas do mundo (tirando uma que nem sabia que eu a namorava... coisas de amor platônico juvenil) e que nunca conseguiu manter uma estabilidade por muito tempo pq sou tão instável quanto a hidrogênio... Seria eu insensível ou exigente demais?

Então pra não deixar que vc pense nada errado de mim, que me estigmatize ou faça rótulos da minha personalidade... vou deixar que vc me conheça...

Mas aviso: Uma vez conhecendo, ou vc permanece ou desapareça... quem gosta de meio-termo é quem não tem personalidade própria!


a porta AGORA está aberta, pode entrar!
Esse texto escrevi há algum tempo, mas se encaixa bem no que penso atualmente:

Vocês já ouviram algo bom, e não acreditaram, ou melhor, não aceitaram de bom grado, como se não fosse verdade ou se você não merecesse isso??? Eu faço isso constantemente, porque em mim existem duas vozes, e elas alternam sua influência sobre mim: uma voz acredita e aceita inocentemente, crê na bondade e verdade humana; a outra voz duvida, pois relembra as dores causadas por doces palavras que maquiavam outras intenções.

Eu vivo em ciclos, já vivi o ciclo do amor, estava vivendo o ciclo da renovação, e agora não sei em que ciclo vou entrar... Eu estou pleno, sei o que sinto, o caos ao meu redor não macula a minha paz interior, e aprendi pelos caminhos que trilhei que não devo tentar me completar com outros, eu sou completo. Devo sempre entender que minha existência no outro não pode ser como quero, ela é o que é, e devo aceitar e compreender essa existência.

Mas mesmo tendo uma paz interior, ainda percebo em mim contrastes e conflitos, estes inerentes à alma humana, mais evidentes em mim, por ser um neurótico em evolução, não um neurótico qualquer, mas uma neurótico involuntário, que, às vezes é tomado por emoções mais fortes que a razão, que levam a ações, no mínimo sinceras. Mas voltando a tais conflitos, eu por vezes me olho no espelho e não me queixo do que vejo, entretanto perambulando entre tantos, chego a me sentir inexistente, irreal, ou melhor, transparente, como se minha realidade estética não fosse aprovada, ou nem se quer notada. Essa sensação de inexistência causa uma mistura de tranqüilidade e uma inquietude: a primeira se deve ao fato de não ter que me portar dentro de certos ritos sociais, falsos em vários aspectos; a segunda provocada pela velha necessidade humana de se enquadrar.

Mas obviamente essas sensações incômodas são passageiras, porque não há nada melhor de estar de bem consigo mesmo.
Sei que tem muito tempo que não escrevo conscientemente aqui.
Não tem nada de muito interessante acontecendo, as pessoas seguem seus caminhos, procurando evitar riscos, medos e outros ritmos de pulsação. Nunca se viu tantos casais se desfazendo, tantos amigos se afastando. É o individualismo que impera.

Você fecha a janela do seu carro, não quer ver a miséria lá fora, liga o som alto, se tranca em seu mundo. Tudo é você, você, você.

Os dias vão passando, os meses também. E sua rotina cinza continua a mesma. Já não se conhece mais seus amigos, não há porque se preocupar com seus vizinhos.

Você se importa com o hoje, com o imediato, e o resto?

O resto ficou do outro lado do vidro.

O medo de se envolver causa a ruína do mundo. Nós cheios de "solidariedade", participamos de eventos como "Criança Esperança", e cheios de hipocrisia acreditamos estar fazendo a nossa parte. E como fica o menino do lado de fora do seu carro? Como dormirá aquela família que perdeu a casa em uma enchente.

O mundo se une em casos/causas isoladas, no fim do ano passado foi em prol das vítimas das Tsunamis, e como ficam as vitimas da violência avassaladora da exclusão social.

Essas pessoas já se tornaram invisíveis para o governo (exceto em época eleitoral) e para você?

O que você tem feito?