Esse texto escrevi há algum tempo, mas se encaixa bem no que penso atualmente:

Vocês já ouviram algo bom, e não acreditaram, ou melhor, não aceitaram de bom grado, como se não fosse verdade ou se você não merecesse isso??? Eu faço isso constantemente, porque em mim existem duas vozes, e elas alternam sua influência sobre mim: uma voz acredita e aceita inocentemente, crê na bondade e verdade humana; a outra voz duvida, pois relembra as dores causadas por doces palavras que maquiavam outras intenções.

Eu vivo em ciclos, já vivi o ciclo do amor, estava vivendo o ciclo da renovação, e agora não sei em que ciclo vou entrar... Eu estou pleno, sei o que sinto, o caos ao meu redor não macula a minha paz interior, e aprendi pelos caminhos que trilhei que não devo tentar me completar com outros, eu sou completo. Devo sempre entender que minha existência no outro não pode ser como quero, ela é o que é, e devo aceitar e compreender essa existência.

Mas mesmo tendo uma paz interior, ainda percebo em mim contrastes e conflitos, estes inerentes à alma humana, mais evidentes em mim, por ser um neurótico em evolução, não um neurótico qualquer, mas uma neurótico involuntário, que, às vezes é tomado por emoções mais fortes que a razão, que levam a ações, no mínimo sinceras. Mas voltando a tais conflitos, eu por vezes me olho no espelho e não me queixo do que vejo, entretanto perambulando entre tantos, chego a me sentir inexistente, irreal, ou melhor, transparente, como se minha realidade estética não fosse aprovada, ou nem se quer notada. Essa sensação de inexistência causa uma mistura de tranqüilidade e uma inquietude: a primeira se deve ao fato de não ter que me portar dentro de certos ritos sociais, falsos em vários aspectos; a segunda provocada pela velha necessidade humana de se enquadrar.

Mas obviamente essas sensações incômodas são passageiras, porque não há nada melhor de estar de bem consigo mesmo.

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