Ensaio sobre o Orkut

Como é fácil vendermos nossa imagem nessa ferramenta chamada Orkut, somos quem quisermos ser e, melhor ainda, podemos querer não ser ninguém... Falando nisso, odeio fakes, todos eles...

Apesar de garantidos os direitos de expressão desde que não ultrapassem a personalidade doutrem, o Orkut proporcionou o verdadeiro caos no nosso sistema jurídico brasileiro, uma verdadeira anarquia de valores se estabeleceu... "Fodam-se a imagem e a privacidade, entrou no Orkut, 'lascou-se'" (assim disse meu colega de sala em uma aula sobre Direito Civil)

Se falta personalidade em alguns, sobra em outros. Discursos eloqüentes, frases de grandes pensadores, músicas, sonetos, poemas, palavrões, chavões, passagens bíblicas e, quando não misturam tudo isso que foi dito em um só perfil, aparece a mais incrível descrição de si mesmo... uma gigante e totalmente esclarecedora "?"

Simplesmente PERFEITO...

Resume em um símbolo tudo o que filosófos nunca conseguiram expressar em palavras. De todos os perfis que já visitei, e confesso que foram muitos, este sim, é uma obra de arte não reconhecida. É tudo que poderia ter sido dito, mas não foi! Por que? Porque se não nos conhecemos totalmente, se não conseguimos nem dizer o que gostamos em palavras claras... como céus eu poderia dizer quem sou eu?

Se o criador do Orkut tivesse pensado nisso antes, acredito que existiria uma outra frase no lugar da tão terrível frase:"Quem sou eu", antes de qualquer nome, existiria uma descrição "como você se imagina ser" e ao final: Mas pode me chamar de: Fulaninho de Tal.

Boa Semana pra vocês!!

Ps: Beijos especiais a Nane. Saudades imensas de você!

Etiquetas

Dos vários questionamentos que faço a mim mesmo ou a uma "Força Divina" é o por quê de não termos nascido com etiquetas!? Tudo seria muito mais prático, Vejamos:

- Você tem uma queda por determinada pessoa e tem dúvidas se dará certo ou não... beleza... bastava pedir com delicadeza ou, até mesmo, se aproveitar de uma distração de sua pretendente e olhar a etiqueta dela. Prático né? tem mais vantagens...

- Seria um grande avanço para a Ciência, psicologia e até para o Direito que agiria de acordo com a Convenção das Etiquetas (explicarei isto em outro post futuro).

- Não haveriam separações matrimoniais, nem discussões de personalidade... Você só escolheria a sua etiqueta padrão e em caso de erro, seria proposital e não acidental.

- No Sexo então seria uma maravilha... escolher de puritana a sadomasoquista!! Sucesso total!!

- Você não teria dúvidas se seu amigo é ou não é gay!

- Não haveria mais constragimentos, bastaria olhar se a etiqueta está "Disponível" ou não!

Sendo assim me pergunto, apesar destas não existirem, será que não existe quem faça isso por achar-se como um próprio Deus Onipotente e Onisciente? aahh convenhamos... viver no acaso é muito melhor!!! Se é que o acaso existe!!

Estranhos

Hoje uma cena muito interessante me aconteceu... estava eu sentado, calado, um pouco febril, quando me deparo com uma criança sentada a minha frente, olhando pra mim, provando seu salgado, calada, apenas me observando escrever e ignorando o mundo ao redor.

Sua expressão era de alguém despreocupado, mas o que o faria assim? Talvez pela sensação de liberdade que a mãe estava lhe causando ao se ausentar para conversar com uma amiga, talvez porque o gosto do salgado estivesse tão bom que "dane-se o mundo, eu quero é me esbaldar". Estranho, a cada mordida parecia cada vez mais distante.

Quando nossos olhares se cruzaram, ele me ensina algo que há muito tempo havia esquecido... nenhuma barreira pode resistir a um sorriso sincero!

Há poucos metros da minha mesa estão pessoas que julgam me conhecer... estas tmb me olham, digo isto porque para elas só fui o que eu quis que elas pensassem de mim.

Escrever sobre isto me dá certo conforto, adoro quando pensam que me conhecem e se surpreendem quando descobrem algo em mim que nunca imaginavam que eu fosse capaz.

Algumas pessoas são assim e eu não as condeno mais, que falem, que sejam assim, que tenham seus "grandes" assuntos sobre festas ou pessoas, eu não me importo mais, quando descobrirem que o mundo não é apenas seu próprio umbigo, saberão que nem tudo é brilho e que debaixos de máscaras podemos ser quem quisermos e que nem sempre as máscaras caem... pois algumas delas apenas nunca existiram!

Bom Final de Semana!

Falsas Verdades

Hoje pela manhã fiz uma reflexão sobre um acontecimento um tanto cotidiano para alguns... estranho para mim... dos bilhares de apelidos que coleciono e outros que me atribuem, apenas um me diz exatamente como eu me sinto: ESTRANHO!
Me pergunto: Serei eu o estranho ou serei eu o único no universo que é "normal"? Independente da resposta, já notou como isso soa triste? Será que nesse imenso planeta azul existe alguém que assim como eu se importa ainda com as pessoas, que se estemece diante das injustiças e não se contenta com mentiras impostas por essa sociedade hipócrita?
Falsas Verdades... Estou cercado delas...
Um homem passeava com seu cachorro, andava pela orla de Ponta Negra num belo final de tarde, parecia preocupado ou desesperançoso, andava várias vezes pelo calçadão até encontrar um conhecido e receber de presente uma indagação um tanto incomoda:
- Como vai? tudo bem? - Pergunta o conhecido.
- Vou bem sim e você? - Responde quase suspirando o indagado.
Por que mentimos tanto?
Lógico que o conhecido não estava preocupado com o bem-estar do homem, acontece que vivemos tanto no automático que o melhor para nós mesmos é que nos respondam exatamente como o homem e seu cachorro... apenas Falsas Verdades...

Quem é que vai pagar por isso?

Foi com surpresa que me deparei outro dia com um costume que eu jurava que não existisse mais. Estava jantando num restaurante com meus amigos e amigas, paqueras soltas na mesa quando o garçom trouxe dois tipos de cardápios para a mesa. Ambos listando todos os pratos da casa, mas os das mulheres, sem preços. Quem deve pagar a conta, afinal? Como se houvesse uma resposta única para uma questão complexa.

Vamos resolver isso de uma vez por todas: no caso de ser apenas uma turma de amigos, cada um paga sua parte, a não ser que um queira fazer uma gentileza pra o outro. O outro, elegantemente, retribuirá numa próxima vez.

Terminada a sessão "amigos", vamos ao que interessa: encontros amorosos, sexuais ou matrimoniais.

- Se o homem convidou a mulher para jantar pela primeira vez, ele paga. Não tem acordo.
- Se o homem convidou a mulher para jantar pela segunda vez, paga de novo. Se está meio duro, que a convide para um lugar modesto, sem problema.
- Se esses jantares evoluíram para um namoro, ninguém mais está convidado, eles simplismente combinaram de comer alguma coisa depois do cinema, então ela pode começar a pagar de vez em quando.
- Se ele andou aprontando, sendo grosseiro ou pisando na bola, podem estar juntos há 20 anos: ele paga. Caro!
- Se ela andou aprontando, sendo grosseira ou pisando na bola, ele paga também, para que ela não pense que as coisas se resolvem assim tão facilmente, com uma continha de restaurante.
- Se ele não tem um tostão, está desempregado, quebrado, falido, mas compensa sendo um cara sensacional, ela paga quantas vezes for preciso("mas torcerá, em silêncio, para que essa situação seja passageira").
- Se ela não tem onde cair morta , mas é tão doce que faz questão absoluta de pagar pelo menos um vez na vida, ele a leva para comer cachorro-quente e permite rachem a conta.
- Se os dois são milhonários, ele paga.
- Se o casamento está em crise, ele paga. Era só o que faltava fazê-la chorar e arcar com a conta ainda por cima.
- Se o casamento está em plena lua-de-mel, ele paga. E vai achar barato.
- Se ela é uma deusa e ele um tribufu, nada muda ué: ele paga!
- Se ele é descolado, um papo ótimo e na cama melhor ainda, ela cozinha em casa para ele e nunca mais o deixa escapar. (Isso existe?!)
- Se ele é grosso, ignorante e mal-educado, ela paga a conta e pede licença para ir ao toalete, quando na verdade vai pegar um taxi para casa e providenciar a troca do número do telefone.
- Se você não se encaixa em nenhuma desses situações, ele paga.

Resumindo tudo: MEU AMIGO, MULHER QUASE NUNCA PAGA CONTA!! E HÁ DELAS QUEM RECLAME!

Boa semana a todos!

Lula no Maracanã

A cerimônia de abertura do PAN 2007 no Maracanã, revelou duas novidades ao país: a auto-estima recuperada do Rio de Janeiro, depois de tantas notícias negativas e sangrentas, e a baixa-estima popular escancarada com a vaia monumental de 90 mil pessoas ao presidente Lula, depois de tantas pesquisas de opinião triunfais e inebriantes. A festa, belíssima, com as cores e a energia que só o Rio seria capaz de produzir, pode ser o marco de uma trajetória de alto astral que sempre foi a marca da Cidade Maravilhosa, até ser acuada e desfigurada anos atrás pelo crime organizado e pelo tráfico de drogas, que mata, vicia, assusta e corrompe. A vaia, estrondosa, pode ser um ponto de inflexão na curva estável de popularidade de um presidente que resiste a tudo – navalha, Zé Dirceu, sanguessuga, Palocci, mensalão, vampiros da Saúde, Delúbio, os aloprados do PT, Waldomiro Diniz, furacão, Vavá.
Impávido, Lula atravessou este circo de horrores indiferente, cego e surdo a tudo e a todos. Não era nada com ele, embora respingando no ministro do peito, no assessor de confiança, no gabinete ao lado, no irmão ingênuo e simplório. Na rede de Lula, era tudo lambari, incapazes de serem confundidos com os verdadeiros tubarões da corrupção. E isso, segundo as pesquisas de vários institutos, medida ao longo de meses a fio, era a percepção dos brasileiros, pacientes e complacentes, cada vez mais encantados com o presidente da República e com os números vigorosos de uma política vigorosa e estável. Estádio nunca foi problema para Lula. Desde o campo de Vila Euclides, no ABC paulista, onde ele se projetou como herói da classe trabalhadora em plena ditadura, comandando greves e plantando as sementes do primeiro partido operário de massa da política brasileira. Só agora, mais recentemente, num ou noutro evento Brasil afora, Lula experimentou o sabor amargo de vaias, geralmente de grupos menores que se infiltravam na solenidade. Parecia coisa de xiitas do MSLT ou de ressentidos da esquerda radical do PSOL e do PSTU.
Agora, no Maracanã, foi diferente. Nunca antes na história deste país, como diria o próprio Lula, um presidente foi vaiado por um Maracanã lotado. Quando o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, agradeceu ao microfone pelo apoio das três esferas de governo – federal, estadual e municipal -, ouviu-se o que milhares de pesquisadores dos institutos de opinião não escutaram nos últimos cinco anos. Uma sonora, clara, uníssona, retumbante vaia, capaz de consolar o juiz de futebol mais salafrário. Nuzman teve o cuidado de não citar o nome, falou apenas em "presidente". Não adiantou. Na seqüência, quando o orador homenageou o "governador", sem citar o nome de Sérgio Cabral, a vaia prosseguiu, firme e forte.
Só ao citar o "prefeito", sem declarar o nome de César Maia, é que a platéia, convertida, se derramou em aplausos e nítida aprovação. O que só deve ter piorado o impacto da cena na cabeça do presidente. Minutos depois, quando o mexicano presidente do Comitê Olímpico das Américas anunciou a palavra iminente de Lula, nova e consagradora vaia. A cena final mostrou Lula, com um papel na mão, pronto para declarar o Pan do Rio oficialmente aberto, distinção reservada à maior autoridade do país. Diante do caos iminente, Nuzman retomou o microfone e poupou Lula do vexame final, fazendo ele mesmo a declaração de abertura. Lula conseguiu ser o primeiro brasileiro amedalhado do Pan 2007. Não foi ouro, nem prata, nem bronze. O que foi, talvez só as novas pesquisas poderão mostrar.
Por Ricardo Noblat

O Texto:

Quando a gente se apaixona o mundo se enche de cores, fica tudo mais bonito, tudo mais leve, e se a paixão for verdadeira e ele for Ele você saberá, sim amiga saberá, porque quando Ele aparecer na sua vida você vai ouvir sininhos tocando e vai ver borboletinhas voando ao seu redor, e o amor de vocês será o mais lindo e será Para Sempre!

Eu deveria me empenhar em descobrir quem foi que inventou esta fantasia de “sinos e borboletas”, essa pessoa merecia a guilhotina! Ô elemento mau!

As mulheres já crescem com esta idéia fantasiosa fixada na mente, essa “invenção burguesa” (como diz Mausinho), que é o amor surreal, se comporta como uma erva daninha que cresce no imaginário feminino. Pobres meninas que se iludem com essa baboseira de Príncipe Encantado.

Eu não acredito mais no amor, não neste amor barato e fantasioso que vendem por aí, porque para mim o amor de verdade, amor de mãe, de irmão, de amiga, este é um artigo de luxo, caro e raro, e esta saturação do mercado sentimental, esta enxurrada de “eu te amo” só me prova que andam falsificando este tal de amor, e de uma forma muito furrepa.

Como qualquer outra menina que está chegando na vida adulta, eu trago na minha mochila algumas experiências guardadas numa caixinha. Eu pensei que já tinha ouvido os sinos e visto as borboletas, mas a cada dia que passa me convenço de que eu estive completamente enganada, e que “Ele” subornou as borboletas e pagou alguém para tocar os sininhos.

Sempre que um “ele” aparece e eu fico encantada eu acho que é Ele, tudo é lindo, o mundo fica leve, eu fico tonta, mas é só esse frenesi passar para começar a sentir o peso nas costas. E logo vem a desilusão, ele não é um príncipe, não é para sempre e eu acabo um pouco mais distante da tão sonhada felicidade. Não que eu não seja feliz, sim sou muito! Mas tô falando daquela tão sonhada felicidade, que nem eu sei qual é!

Mas logo aparece outro, e começa tudo de novo, outra companhia de sinos, outra equipe de borboletas, outra vez o tudo lindo, outra vez o mundo leve, outra vez a desilusão.

Por isso resolvi que eu mesma vou ter a minha companhia de sinos e minha equipe de borboletas, já que isto é uma farsa barata criada pelos homens para nos iludir, nada melhor do que colocar o feitiço contra o feiticeiro. Vou domesticar as borboletas e eu tocarei meus próprios sinos. (Mesmo que isso te contrarie Mereto.)

Gostar de alguém é algo muito além de sinos e borboletas, se a receita para uma paixão verdadeira dependesse só disso seria muito fácil. Mas tem muitas outras coisas para que uma paixão seja para sempre, ainda mais porque a duração do “para sempre” é muito relativa. Tem “para sempre” que dura um ano, cinco meses, até de três meses eu já vi.

Cansei de brincar de Princesinha, essa história de encontrar Príncipe em sapo é aventura demais pro meu mundinho. Nada de buscar o Príncipe Encantado, sem essa de que a gente tem que beijar muitos sapos para encontrá-lo. Sou mais a teoria de que enquanto eu não encontro o “Certo” eu me divirto com os errados.


Tássia Piotto (in memoria)

Reflexões sobre o Sofrimento

Angústias impensáveis, tristeza, desespero, decepção, frustração, raiva, abandono, solidão, falta de amor, baixa-estima, traumas... Longa é a lista de emoções, sensações e situações que geram sofrimento emocional. Fugir deles? Seria muito bom se pudéssemos fazer isso sem maiores consequências, que houvesse uma tecla que apertássemos e pronto, deleted; ou até mesmo uma cirurgia superespecializada para extirpar aquilo que nos faz sofrer... E o mundo todo poderia ser diferente, um paraíso idealizado onde tudo funcionasse, onde o banco não cobrasse juros do cheque especial, onde não houvesse trânsito, traições, guerras e onde as nossas necessidades fossem atendidas prontamente.
Mas não é assim. Não dá nem pra fantasiar, porque até mesmo aquele livro que eu gosto, a novela, ou até a história do conto de fadas só faz sentido porque há drama, há sentimentos bons e ruins, há lutas e vitórias, há derrotas também, há a morte, há dor e há prazer.
Fugir do Sofrimento é se ausentar da própria vida, da lida com a realidade, de si mesmo. Sofrer faz parte! Que parte chata, desagradável, doída! Mas quão real, construtivo e enriquecedor se pudermos nos apropriar e dar lugar e acolhida ao nosso próprio sofrimento. Simplesmente porque é noso e porque faz parte de nossas vidas, da nossa história e da nossa realidade.
O Sofrimento é nosso individualmente, enquanto pessoas, e é nosso coletivamente, enquanto comunidade humana. Há emoções compartilhadas por todos: as alegrias e celebrações dos nascimentos e casamentos, a ternura diante dos bebês, o luto das mortes, a indignação diante de atrocidades e catástrofes.
Mas até para sofrer precisamos ter aparato, estrutura e saber que podemos atravessar a dor e sair dessa travessia mais humanos, fortalecidos e criativos. A Primeira vez que ouvi isso em uma aula, achei interessante o discurso. Pensei comigo: "mas eu já sofri tanto, já passei por cada uma e não estou me sentindo necessariamente mais humano, fortalecido e criativo com isso. Na verdade estou cansado, farto. Isso é conversa de Psicólogo, de masoquista ou de budista".
Mas existia um fato irrefutável. Estava novamente ali sofrendo, angustiado e mesmo depois de todos os episódios anteriores da minha vida, parecia ainda não ter aprendido a lidar com isso, ou comigo, ou com o meu próprio sofrimento. Na verdade descobri que era especialista em fugir dele, em mudar realidades, em ocupar minha mente com atividades intelectuais, em construir novos cenários nos quais eu esperava, ansiava e fazia tudo da melhor maneira possível para que ele não estivesse incluído. Na verdade estava sempre comigo porque era meu. Meu Sofrimento, minha dor.
Num primeiro momento, quando me dei conta disso, fiquei indignado e com muitas questões. "Puxa vida, pensei que já tinha sofrido tanto e ainda tem mais? quanta energia e quanto tempo gastos fugindo desse sofrimento, da tristeza, da angustia, do desespero, da sensação de vazio! Será que meu espírito de luta, de sacudir a poeira e dar a volta por cima é genuíno mesmo ou será que é mais um mecanismo para escapar da dor?"
Mas sempre acreditando na possibilidade de cada ser humano encontrar o seu próprio caminho, sua singularidade, seu ser e fazer no mundo, sua forma de viver o melhor possível dentro da sua realidade, de transformar a relidade e de criar o novo, me dei uma chance. Chance de atravessar meu próprio sofrimento, de me apossar daquilo que era meu e que sempre optei - por falta de condições emocionais para suportar a dor, por medo, por falta de autoconhecimento, por falta de conhecimento e por falta de outro ser humano que pudesse me ajudar nessa travessia- por deixar de lado.
O outro. Que fundamental é o outro. Precisamos dele desde pequenos para significar nossa própria dor, para dar contorno e sentido. Dessa forma, o sofrer é só uma passagem, natural como o prazer e a alegria, e não uma ameaça de cair num abismo escuro infinito.
Ainda não sou um especialista em atravessar tempestades no deserto das dores e, para falar a verdade, não almejo ser. Contudo, agora sei que posso atravessá-las, saio mais fortalecido delas, mais apossado de mim e com menos medo. As travessias estão mais curtas, pois estou aprendendo a lidar com o deserto e as tempestades. Eu passo por eles e não me perco neles. Criativo? Não sei, isso vamos ver. Depois vocês me contam.