A.

Das fotos que tiro dos meus álbuns virtuais ou sentimentais, não há hoje uma foto que esconda quem sou ou o que sinto. Quero você. Quero como quem, em séculos passados, amava sem nunca ter visto ou sentido o seu perfurme, mas morreria por essa pessoa se alguém a difamasse ou quisesse se interpor entre eles. Talvez já tenha feito isto. Talvez sorrisos tenham sido intercalados com olhares confrontantes de "quem é você que mexe tanto com minha alma?".

Me incomoda muito o fato de você estar com alguém. Muito. É injusto. É sádico. É perverso. Como pode fazer isto comigo? Como ninguém nunca te falou que te olhava em segredo? Como nunca ninguém disse que eu sempre perguntei seu nome, e quando soube o nome queria saber da sua essência e sabendo da sua essência me impediram de chegar até sua alma... porquê outro alguém já havia feito isto.

E os romances que acompanhei? e os desastres que tentei impedir, cartas e bilhetes anônimos não enviados por vergonha e medo... O mundo moldou você de uma forma que é melhor manter-se com uma pessoa, talvez nem tão impulsiva, determinada, desafiadora quanto eu, para ficar com alguém que te tem afeto e cuidado.

Acaso eu não possuo tais qualidades? acaso eu não poderia cuidar de você como quem quer ver uma planta nascer para tirar dela seu sustento de vida? eu posso cuidar de você... Eu posso. Eu posso.

Cansado de falsas promessas, também me enviei em outros corpos, também tentei preencher meu vazio de alma com pessoas incompletas e tristes... eu fui remédio para muitas delas... mas quem é meu remédio? quem é a cura da cura? quem limpará a fonte depois que ela secar?

Os pássaros já fazem seu ninho em meu coração... besteira! Aqui não ficarão. Não há espaço para casais felizes na minha vida... Se não há você... não haverá mais ninguém.

Te espero.

Não precisa vir com pressa... sempre gostei do seu jeito silencioso.

Mas venha... porque cedo ou tarde, eu posso enterrar tudo isto com um sonoro e único: Adeus A.

atenciosamente,

D.

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