Você é o que ninguém vê.

Você é:
os brinquedos que brincou,
as gírias que usava,
os segredos que guardou,
você é sua praia preferida, você é o renascido depois do acidente que escapou,
aquele amor atordoado que viveu,
a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe,
a infância que você recorda,
a dor de não ter dado certo,
de não ter falado na hora,
a emoção de um trecho de livro,
a cena de rua que lhe arrancou lágrimas,
você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado,
a força dada para o amigo que precisa,
a sensibilidade que grita,
o carinho que permuta,
os pedaços que junta,
você é o orgasmo,
a gargalhada,
o beijo,
você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado,
a impotência de não conseguir mudar,
o desapontamento com o governo,
o ódio que tudo isso dá.
Você é o que ninguém vê.

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