Queria escrever sobre o amor. E o fiz.

Queria escrever sobre amor, sobre como ele é, ou melhor, como penso que ele o é.
Queria apenas escrever, não para alguém, mas para parar de me agonizar.
Ah, o amor, motivo de desnorteamento feminino e algumas vezes do riso masculino.
Ah, o amor...
Amor é um sangramento que não se vê sangrar.
Arde por dentro quando se ama.
É o amor, uma oposição a todas as virtudes tônicas dos filósofos mais renomados deste mundo.
Compaixão.
Amor: Sentimento mais venerado pelos gregos e rock stars.
Ah, o amor...
Suga da seiva mais profunda do coração quando se conhece uma pessoa especial para você.
Sim, o amor, o mesmo que te faz chorar e pensar;
O mesmo que te faz rir e gozar, como quando ouve um sussurro ao pé do ouvido de quem gosta de você.
Ah, o amor...
Que faz você esperar para todo o sempre pela pessoa que disse voltar outrora.
Fraqueza, bobagem, pode chamar do que quiser, eu o chamo de amor.
Queria apenas escrever sobre o amor e o estou fazendo, penso que é assim que deveria ser.

Por Gibran Khalil Gibran (livro "O profeta")

E um homem disse: "Fala-nos do conhecimento de si próprio."
E ele respondeu, dizendo:"Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites;Mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que vosso coração sabe.Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamento.

Quereis tocar com os dedos o corpo nu de vossos sonhos. E é bom que o desejeis.

A nascente secreta de vossa alma precisa brotar e correr, murmurando para o mar;E o tesouro de vossas profundezas ilimitadas precisa revelar-se a vossos olhos.Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos;E não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou uma sonda,Porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas.
Não digais: 'encontrei a verdade.' Dizei de preferência 'Encontrei uma verdade.'Não digais: 'Encontrei o caminho da alma.' Dizei de preferência: 'Encontrei a alma andando em meu caminho.'Porque a alma anda por todos os caminhos.A alma não marcha em linha reta nem cresce como um junco.A alma desabrocha, qual um lótus de inúmeras pétalas."

Então, um professor disse: "Fala-nos do ensino."
E ele respondeu, dizendo:"Homem algum poderá revelar-vos senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento.O mestre que caminha à sombra do templo, rodeado de discípulos, não dá de sua sabedoria, mas sim de sua fé e de sua ternura.Se ele for verdadeiramente sábio, não vos convidará a entrar na mansão de seu saber, mas vos conduzirá antes ao limiar de vossa própria mente.

O astrônomo poderá falar-vos de sua compreensão do espaço, mas não vos poderá dar a sua compreensão.O músico poderá cantar para vós o ritmo que existe em todo o universo, mas não vos poderá dar o ouvido que capta a melodia, nem a voz que a repete.E o versado na ciência dos números poderá falar-vos do mundo dos pesos e das medidas, mas não vos poderá levar até lá.

Porque a visão de um homem não empresta suas asas a outro homem.

E assim como cada um de vós se mantém isolado na consciência de Deus, assim cada um deve ter sua própria compreensão de Deus e sua própria interpretação das coisas da terra."

Rejeições.

Recorrerei à unica forma que encontro, no momento, de tentar esclarecer o que há pouco fôra tão claro para mim. E aqui trancarei este sentimento, no direito de dizer que muitos o sentem tão poucas vezes na vida, e quase certo também afirmo que ele vem como um prazer perverso.
Nesses momentos é que entendemos o significado de uma música um pouco mais triste, uma melodia receosa de espectativas positivas.

(...)

Sinto medo de estar confundindo as coisas, de estar generalizando atitutes exclusivas de uma pessoa à tantas outras, talvez só pelo fato de pertencerem ao mesmo sexo, ao mesmo patamar social. Talvez não seja assim com todas elas, talvez exista uma mulher em que a gente possa confiar o nosso amor, tão facilmente dado de todo o coração quando há um tom de carência traçado em nossa personalidade.

Em meio a um mar de opções, o complicado parece estar sempre a um passo de minha escolha. Não é sempre, mas na maioria das vezes - a memória é seletiva, então é mais fácil se lembrar de escolhas mal feitas, pois se houvesse alguma que deu certo, então certamente lembraria-me dela.
O discurso está negativo demais, melancólico demais. Talvez eu nem transparece o que estou escrevendo aqui - como uma forma de alívio - talvez eu precise de um psicólogo, mas também existem algumas gotas de lágrimas que pretendo deixá-las cair, mas não as disperdiçarei por agora, sei que é passageiro e que as lágrimas me são raras.

A rotina é pesada, é estressante, cumprir com os deveres agora fica muito mais difícil. Pensar nisso pesa mais na cabeça do que qualquer semana de aulas intermináveis. E eu me julguei ser forte o bastante para encarar a realidade, esta que poucas vezes encaro, que mascaro por comodismos e sonhos bobos. Engraçado como uma situação dessas, quando alguém que você acredite ser a pessoa certa, lhe dispõe as cartas e prejulga a derrota lhe faz ficar sem ação. Lhe faz agir como um idiota, querendo tomar para si a liberdade de escolha que cada um tem. Dê poder à um homem e conhecerá este homem, ofereça frustações à este mesmo cara e o terá como uma criança, diante de seu maior medo.

Rejeições.

Poder parecer, depois de um tempo, que você tem o controle da situação - nada lhe afetará, todos gostarão de você e em nenhum momento você vai se encontrar sozinho, andando pela rua no final de semana sozinho, como um cão sem dono procura um abrigo ou um companheiro.
Fui omisso, incoerente com o que sentia. Levo uma lição: nunca abandone, por nenhum momento a pessoa que você segura a mão olhando para o céu. Quando você lhe diz as palavras mais doces e espontâneas, que até parecem sair de um novela, quando você é sincero o bastante para causar-lhe uma sensação de emoção, comoção, felicidade, paz e bem querer, jamais abandone esta pessoa. Não deixe a dúvida permear onde antes estava o seu perfume.

Sinto-me ao menos com aquela sensação depois do choro, mas sem o choro. Alívio. Uma vergonhosa paz pedindo passagem. Uma falsa liberdade que me trancafia no desejo de querê-la por completo.

Mas as emoções em demasia não trazem boas consequências, até para amar precisamos de um pouco de cautela. É um paradoxo. Sobrepor razão à emoção. Onde já se viu isso? Vivamos então sob a maldição deste paradoxo. Com cautela, sempre com cautela.