Dentro de casa

Nunca entendi as motivações de quem, a partir de determinado momento, confunde valores com valores, colocando em primeiro lugar aqueles que trazem um aparente maior conforto; e também não entendo que alguém entenda que o conforto do conforto possa alguma vez confortar mais que a paz de espírito que nos permite dormir descansados todas as noites.

Contam-nos histórias, diferentes versões de uma mesma realidade que aparentemente não tem explicação, que ouvimos com um sorriso distante: acontece sempre aos outros. Até porque aqueles que estão perto de nós seriam incapazes de tais ações, afinal sabemos bem quem são, foi uma vida inteira de convívio e sempre estiveram do nosso lado quando, conosco, ouviram as mesmas tais histórias e as condenaram mais amiúde e com maior veemência do que aquela indicada pelo nosso distante sorriso.

Até ao dia.

Até ao dia em que verificamos que é mesmo verdade que o conforto do conforto conforta mais que dormir à noite, que verificamos que continuam mesmo a dormir à noite, quando nem querem saber que é deste lado, afinal, que não se dorme a essa hora.

A esta hora.

Afinal, se pensarmos bem, sempre soubemos quem são, apenas nunca nos questionamos a esse respeito, nunca colocamos as personas no cenário das diferentes versões da tal realidade que nos contam: talvez encaixassem bem, estivéssemos atentos aos exemplos passados.

Talvez na perfeição.

Ou talvez seja eu que sou um anormal.

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